View Full Version : Brazilian literature and writers.
AuriVerde
05 Oct 2005, 11:59 PM
We all know about our rich cultural background which influenced our literature and helped to produce inumerous talented writers with very different styles.Mny of them are recognized in the whole world for their excellence.
So,what are your favourite books,writers or aspects of the brazilian literature?
Feel free(and encouraged!) to post and sucuss about them.
Ombak
06 Oct 2005, 12:21 AM
The top writers would be:
Prose: Machado de Assis
Poetry: Carlos Drummond de Andrade
Manuel Bandeira
I like all three of them a lot personally. I'll let other posters add others.
My favorite poem is "E agora José?"
AuriVerde
06 Oct 2005, 01:08 AM
I have a big admiration for Machado de Assis,José Lins do Rego e Érico Veríssimo(Incidente em Antares).I love Lygia Fgundes Telles,her little dark tales are just too brilliant(Venha ver o pôr do sol,as an example).In poetry,Cruz e Sousa is fantastic and many of his peers from the "Simbolismo".
Bastiat
07 Oct 2005, 06:02 PM
Best poet has got to be Augusto dos Anjos
VERSOS ÍNTIMOS
Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
AuriVerde
07 Oct 2005, 06:11 PM
Best poet has got to be Augusto dos Anjos
VERSOS ÍNTIMOS
Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
It's a very nice poem,indeed.
neovox
01 Nov 2005, 07:35 AM
Sobre o Sangue na Veia
O sangue na veia é o poema
Em que a vida se mostra extrema,
Onde a vida é na ponta dos dedos,
Onde a vida é a vida sem medo.
É difícil escrever certas coisas
Sem uma falsa sensualidade,
Mas aqui se vêem macho e fêmea
Se dando em naturalidade,
Sem os carvões das igrejas
E o fogo que acendem se acesas,
Com o natural que nas várzeas
Se habitam os serem que sejam.
Lá se é naturalmente,
Sem tempos de seca ou cheia,
Lá se está naturalmente,
Num corpo a corpo entre as veias.
João Cabral de Melo Neto
Este é um inédito cedido pela viúva, publicado pela et cetera, uma bela revista de arte e literatura editada por grande amigo aqui em minha cidade
Ombak
01 Nov 2005, 10:14 PM
Decide postar aqui o famoso "E Agora José?" que é algo que qualquer um que fala português deve conhecer:
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?
E agora, José ?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora ?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José !
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde ?
-Carlos Drummond de Andrade